sexta-feira, 11 de setembro de 2009

JERÔNIMO SAVONAROLA, O JOÃO BATISTA DA IGREJA PROTESTANTE.





Jerônimo Savonarola,
o João Batista da
Reforma Protestante

Florença (cidade da Itália), novembro de 1491. O grande sino da Catedral de Duomo acaba de bater meia-noite.
Após distender pela décima segunda vez a corda para produzir a última badalada, do alto da torre um homem põe-se a observar as sombras que chegam de várias direções e se reúnem no centro da praça ou sobre os degraus da catedral.
São pessoas que vêm dormir ali para, no dia seguinte, garanti­rem um lugar no interior da grande Duo­mo.
- Celebrar-se-á casamento de nobres?

Algum rei será coroado?

O Papa visitará a catedral?

- Não.

Jerônimo Savonarola vai pregar.

O homem que observa do alto da torre sabe que o quadro social e espiritual da Florença do tempo de Savonarola é quase o mesmo em toda a Itália: o luxo, a ostenta­ção dos ricos em contraste com a miséria dos pobres, a iniqüidade dos homens, as violações dos direitos humanos, os adulté­rios, a idolatria, as blasfêmias e a decadên­cia da dominante Igreja Romana, cheia de vícios e pecados.
Por este motivo, já há al­gum tempo Savonarola tornou-se no púlpi­to uma tocha ardente e cheia de indigna­ção, um João Batista precursor de uma re­forma religiosa que se avizinha.


Alicerçado no Evangelho, prega com tanto fervor e tão cheio do Espírito, que suas palavras são como espadas nuas, destramente maneja­das contra o pecado, setas de fogo lançadas ao centro dos corações corrompidos.

E toda a Florença acorre para escutar, deslumbrada e temerosa, os sermões de Jerônimo, que em seus juízos corajosos e feri­nos não livra nem mesmo os nomes do re­gente da cidade e do Papa, principais res­ponsáveis pela devassidão do povo e da Igreja Romana.


Jerônimo Savonarola nasceu na cidade italiana de Ferrara, no ano de 1452.
Seus pais queriam que ele ocupasse o lugar de seu avô paterno, que era médico na corte do Duque de Ferrara.
Porém o estudo das obras de alguns teólogos e, sobretudo a contínua leitura das Escrituras desviaram-no da Medicina e inclinaram o seu coração para os caminhos de Deus.
Quando tinha 22 anos de idade, o desprezo dos Strozzi - uma orgulhosa família italiana que não o achou digno de desposar uma de suas fi­lhas, e a decadência espiritual da cidade de Ferrara levaram-no a fugir para Bolo­nha, a pé.
Nessa época seu entendimento já fora dilatado pelas verdades divinas, e ele aprendera a orar. Essa conversação es­piritual com Deus abrandou a amargura e a desilusão de sua alma.
E o Senhor suave­mente se foi apossando do seu coração.
Em Bolonha erguiam-se os altos muros do Convento de São Domingos.
Ali Savonarola se apresentou impelido pelo desejo de abraçar a vida monástica. Porém não se achava digno de ser monge, e por isso pe­diu que o aceitassem como um dos encar­regados da limpeza do convento.
Mas logo suas grandes virtudes pessoais o distingui­ram. Como uma fonte que mansamente nasce o desejo de continuamente estar na presença de Deus brotara no seu coração, e agora era como um grandioso e indomável rio, que livremente corre para o mar.

Savonarola era humilde, obediente e sincero.

O tempo que lhe sobrava, após as várias ocupações, empregava-o na literatu­ra, na oração e na contemplação da sublimidade do amor de Deus. Ao acordar pela manhã, elevava o seu coração em súplicas, ofertando ao Senhor as primícias do dia, e pedindo-lhe que estivesse sempre com ele.

Os superiores do convento passaram a ver naquele rapaz um futuro grande ho­mem da Igreja. Sua inteligência e, sobretu­do seu fervor religioso levaram esses ho­mens a não medirem esforços para comple­tar sua formação intelectual e religiosa.
O moço tinha sempre o coração cheio de fé, a alma livre das paixões humanas, e o pensa­mento continuamente ocupado com o amor de Deus.
"Senhor, não reine em mi­nha alma outro além deli!" - pedia ele em suas orações.

O lugar onde se prostrava ho­ras a fio em oração, ficava geralmente mo­lhado de suas lágrimas.

Seu admirável progresso nos estudos valeu-lhe a nomeação de professor de Filo­sofia, função que exerceu até a data de sua transferência para o convento de Ferrara.

“Ao chegar ali, dentro dos silenciosos muros do mosteiro de sua cidade natal, entregou-se com mais assiduidade ao jejum” à ora­ção e ao estudo da Palavra de Deus, pois desejava alcançar o que sempre fora a mais ardente aspiração de sua mocidade: tor­nar-se um inflamado pregador, um arauto do Céu a anunciar, face á impiedade do povo, que o dia da vingança do Senhor es­tava próximo.

Porém suas primeiras tenta­tivas de pregar em Ferrara resultaram em fracasso. Não acostumado a ouvir pregações que denunciassem e reprovassem abertamente os seus pecados, o povo de Ferrara não deu a menor atenção às pala­vras daquele moço que se propunha a ser "o chicote do Senhor".

Jerônimo foi obri­gado a dedicar-se inteiramente à instrução dos noviciados, repetindo para si mesmo as palavras de Jesus:
"Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua ca­sa" (Mateus 13.57).

Porém os sete anos que passara no con­vento de Bolonha e as pregações que fizera ali haviam confirmado que Deus o usaria nos púlpitos das maiores catedrais da Itá­lia, e seus ataques formidáveis contra a corrupção do povo e da Igreja Romana pre­parariam em toda a Europa o caminho para a futura Reforma Protestante.

Insatisfeito com a pequena repercussão que suas pregações haviam obtido entre os ouvintes que freqüentavam a igreja do con­vento de Ferrara, Savonarola desejou ar­dentemente mudar-se para a mais desta­cada cidade do Renascimento: Florença. Ali foi muito bem recebido pelos religiosos do Convento de São Marcos.
Naquela época, Florença cultuava a beleza da pintura, da escultura, da poesia e da oratória.
Os oradores discursavam preocupados em tornar a frase pomposa, rica e elegantemente floreada.
Além do mais, para se triunfar no púlpito ou na tribuna, era necessário possuir boa estatura física, além de bela aparência, e fazer uso de atitudes elegantes.

Savonarola era a antítese de tudo isto: alto, magro, nariz grande, lábios grossos, boca imensa, atitu­des desgraciosas e enérgicas.

Porém estas desvantagens físicas não impediram que ele se tornasse o maior pregador de sua época.
O intenso brilho dos seus olhos azuis impressionava a todos os que o contempla­vam. Parecia que ele estava sempre a que­rer olhar dentro das almas, ou a contem­plar os longos rumos ocultos, os largos iti­nerários dos corações.

Savonarola começou a pregar em Florença seguindo um estilo diametralmente oposto ao dos oradores da época, desper­tando assim a curiosidade de muitos, ini­cialmente para a sua maneira de usar da palavra, depois para a significação do que dizia.
Rejeitando as burilações retóricas, numa linguagem espontânea e enérgica, pregava diante de uma assistência cada vez mais admirada do seu modo direto de ir ao assunto.
Impressionava a todos o fer­vor de suas palavras.
Através das pregações, Savonarola foi conquistando a cidade de Florença.
No tempo em que os rijos ventos do pecado so­pravam sobre as vidas conturbadas e escu­ras dos florentinos, sua voz fez com que a Palavra de Deus brilhasse cada vez mais clara e resplandecente, nos corações.

Oskar Von Wertheimer observou que "suas pregações produziam um efeito indescrití­vel, acontecendo freqüentemente aos que as copiavam declararem, à margem dos ma­nuscritos, haver-lhes o entusiasmo ou as lágrimas impedido de continuarem a es­crever".

Falando, certa vez, no púlpito da Cate­dral de Florença, Savonarola disse que em breve morreriam o Papa Inocêncio VIII e Lourenço de Médicis, e que a Itália seria invadida por Carlos VIII, da França.

Esses vaticínios iriam ser confirmados posterior­mente, aumentando o seu prestígio diante do povo.
Ao saber dessas previsões, o Go­vernador Lourenço de Médicis, furioso, or­denou a alguns nobres de Florença que procurassem mostrar a Savonarola que suas profecias punham sua vida em perigo.

O pregador escutou-os friamente, e em se­guida mandou dizer a Lourenço que ele de­via se arrepender dos seus pecados.

Lou­renço concluiu que não conseguiria im­pressionar o monge através de ameaças, e tratou de conquistar-lhe a simpatia.
Savo­narola era então Prior do Convento de São Marcos, e não se impressionou diante dos muitos favores que o governador subita­mente passou a fazer àquela comunidade religiosa.

Apercebendo-se da inutilidade de seus métodos, e vendo que Savonarola conti­nuava a atacar sua vida tortuosa e desre­grada, Lourenço resolveu fazer calar o grande pregador utilizando-se de sua pró­pria arma: a oratória.
Encarregou Frei Ma­riano de Gennazano, um dos maiores ora­dores sacros florentinos, de pronunciar al­guns sermões contra o Prior do Convento de São Marcos.

Foi à grande vitória da ora­tória sem artifícios sobre a oratória artificiosa.
Savonarola impressionou o povo e venceu Frei Mariano fazendo uso de uma eloqüência espontânea e simples.

Tempos depois, Lourenço de Médicis mandou cha­má-lo. Estava à morte. Ao vê-lo, disse o go­vernador:

"Mandei chamá-lo por ser o se­nhor o único monge honrado que conheço." Na conversa que tiveram sobre salvação, discordaram em alguns pontos, e Savona­rola, depois de muito insistir, retirou-se, deixando o moribundo "a sós com Deus e sua consciência".

Com a morte de Lourenço, o não menos corrupto Pedro de Médicis ocupou o seu lugar. Savonarola redobrou sua campanha em prol da regeneração dos costumes.

Sob os efeitos produzidos por suas pregações, ladrões e usuários procuravam regenerarem-se, mulheres abandonavam o luxo e muitos fugiam à devassidão, almejando viver se­gundo os preceitos bíblicos.
Sempre com a Santa Palavra nos lá­bios, o grande homem de Deus ia pregando com simplicidade, e mudando, espantosa e radicalmente, os costumes do povo italia­no.
Às vezes surgiam em suas pregações metáforas como esta:
"Deixam o ouro pelo cobre, o cristal pelo vidro, as pérolas pelo barro, os que pelo barro do mundo, pelo vi­dro da vaidade e pelo cobre destes bens profanos e transitórios desprezam o ouro maciço, o cristal puro e as pérolas do amor de Deus e dos bens eternos."
Nem mesmo o clero escapou de sua sin­ceridade, que não conhecia limites. Savonarola atacou frontalmente os vícios dos religiosos de sua época:

- "Se vós soubésseis as coisas repugnantes que eu sei!" - dizia ele diante da multidão que o ouvia surpresa.
E então, corajosamente, sentava a igreja dominante no banco dos réus e a julgava:

"Vem cá igreja infamada! Ouve o que te diz o Senhor. Dei-te formosas vesti­mentas, e tu exerceste com elas a idola­tria.
Com os vasos preciosos tens alimenta­do o teu orgulho, tens profanado o que an­tes era sagrado; a sensualidade te precipi­tou na vergonha.
És pior que uma besta; é um monstro repugnante...
Ergueste uma casa de imoralidade e te converteste, em toda parte, numa casa de perdição. Tomaste assento no trono de Salomão e passaste a atrair o mundo às tuas portas:
“Quem tem dinheiro entra, e pode fazer tudo o que quer, mas quem não tem di­nheiro, mas deseja o bem, é desconsiderado e expulso."


Esse julgamento chegou ao conheci­mento do próprio papa Alexandre VI su­cessor de Inocêncio VIII, e um dos maiores responsáveis pelas desordens clericais.

Já há algum tempo os sermões de Savonarola vinham incomodando o Papa, que procu­rou lançar mão de todos os meios possíveis para fazer o monge calar.
Travou-se então uma luta ferrenha, que culminou na exco­munhão, prisão, tortura e morte de Savo­narola.

Antes, sua sinceridade e guerra decla­rada à devassidão, desonestidade e hipo­crisia já o haviam indisposto seriamente com alguns dos grandes senhores da Itália.
Um dos casos mais sérios ocorreu durante uma de suas pregações em Bolonha, quan­do a mulher de Bentivoglio, um dos ho­mens mais importantes dessa cidade, en­trou na igreja provocadoramente, com o intuito de perturbar o pregador e fazê-lo perder o curso do sermão. Imediatamente, e sem medir conseqüências, Savonarola bradou do alto do púlpito:

- Vede aí, irmãos,_eis o demônio que vem perturbar a Palavra de Delis.

A frase ecoou por todo o recinto como uma chicotada.
Imediatamente os guardas de João Bentivoglio empunharam as espa­das e investiram contra o pregador, mas fo­ram interceptados pela maioria dos que ouviam a pregação.
Savonarola escapou - milagrosamente de morrer naquele instan­te.
Mas, apesar dos conselhos que lhe de­ram para que fugisse imediatamente de Bolonha, ele permaneceu na cidade até pronunciar o seu último sermão ali, quan­do, no mesmo lugar onde o haviam amea­çado de morte, falou desafiadoramente:

- Partirei esta tarde para Florença, sem outra companhia além do meu bordão de peregrino. Alojar-me-ei em Pianora. Se al­guém quer ajustar contas comigo, que ve­nha antes de minha partida. Entretanto, eu não morrerei em Bolonha, mas em outro lugar.

Ele sabia que os poderosos não o deixa­riam viver por muito tempo.
Após sua morte, a Itália seguiria o seu caminho de “corrupção e infâmias internas”, mostrando, porém, ao mundo, uma face hipócrita de pureza e religiosidade.
Mas ele sabia tam­bém que não poderia parar de pregar.
Combateria o pecado até momentos antes de ser enforcado e queimado.
E seu exem­plo floresceria no solo da Europa e do mun­do.


Não acreditando que seus auxiliares pudessem ajudá-lo a mudar radicalmente os costumes do povo, Savonarola apelou para a sinceridade dos meninos, que saíam pelas ruas da cidade fazendo batidas siste­máticas, surpreendendo os adultos em ati­tudes pecaminosas, e levando para ser queimado tudo o que conseguissem achar em matéria de enfeites, cabelos postiços, livros e quadros indecentes.

Conta-se que os meninos abordavam as senhoras nas ruas e diziam, cheios de convicção:
- "Da parte de Jesus Cristo, Rei de nossa cidade, nós te ordenamos a abandonar todas essas vaidades."

Savonarola encorajava os me­ninos a prosseguirem com a "Reforma dos costumes".
Sobre imensas fogueiras - as fogueiras da vaidade, como costumavam chamá-las -, obras de arte, jóias, espelhos, livros e toda sorte de objetos considerados pecaminosos eram amontoados e queima­dos.


Quando as tropas de Carlos VIII, rei da França, invadiram a Itália, mais uma de suas profecias se cumpriu.
Isso contribuiu para que a inveja e o ódio do Papa Alexan­dre VI se acendesse contra o monge de ma­neira mais violenta que o fogo ateado sobre as "fogueiras da vaidade".

Além do mais, as palavras chamejantes de Savonarola haviam continuamente atacado Roma e o "Sumo Pontífice", com a mesma energia que sempre combateram a devassidão da época:

- O escândalo começa por Roma e corre por todo o continente. São piores que os turcos e os mouros...
Os sacerdotes vão por dinheiro ao coro, às festividades e ao ofício; vendem as prebendas, vendem os sacra­mentos, negociam com as missas; em uma palavra: tudo fazem pelo dinheiro... Este veneno acumulou-se de tal maneira em Roma, que a França, a Alemanha e todo o mundo se contagiaram; e chegou a tal ponto que é necessário prevenir-se contra Roma. Entre o povo circula uma frase que diz: "Se queres perder teu filho, faze dele um sacerdote!"


O Papa resolveu tomar providências enérgicas contra Savonarola. Primeira­mente dirigiu-se ao governo de Florença, e solicitou-lhe fosse enviado a Roma o mon­ge revolucionário.
O governo florentino de­clarou que não lhe era possível cumprir se­melhante pedido, "não só porque" - disse - "faríamos algo indigno de nossa Repúbli­ca e injusto contra um homem que tem trazido tantos beneficiou à Pátria.
Além do mais, ainda que quiséssemos, não podería­mos fazê-lo sem que houvesse uma revolta popular com grave perigo para muitos, tal e tão grande é o prestígio que esse frade ga­nhou com sua integridade".
Mas o Papa estava disposto a lutar e fazer calar, de uma vez por todas, o "chicote do Senhor".

Do púlpito, Savonarola comentou o inci­dente:

- Chegou de Roma um breve (decisão papal), é verdade. Nele, chamam-me de fi­lho da perdição. Aos que me acusarem diante de vós, queridos irmãos, respondei assim:


"Aquele a quem tu chamas deste modo diz que não possui mancebos nem concubinas, mas apenas prega o Evange­lho de Cristo. Seus irmãos e irmãs espiri­tuais, e todos os que escutavam a sua dou­trina, não andam buscando esses tristes deleites, mas temem a Deus e vivem ho­nestamente".

O Papa anunciou então que Jerônimo Savonarola estava excomungado da Igreja Romana, e utilizou-se em seguida de um meio que se mostraria extremamente efi­caz para arrancá-lo das mãos protetoras do governo florentino: ameaçou confiscar os bens de todos os florentinos residentes em Roma, e boicotar as mercadorias destina­das a Florença.

Nas palavras do historia­dor Alexandre Vicunã:
"O efeito foi mági­co".
"Tanto o embaixador florentino, junto à corte papal, como os comerciantes de Flo­rença, residentes nos Estados Pontifícios, exigiram do Governo de seu país que ace­desse ante a exigência do Papa e entregas­se, de uma vez por todas, o monge rebelde. Por um frade não valeria a pena sacrificar o comércio da República!"

Savonarola foi preso e entregue ao Papa juntamente com seus dois fiéis companheiros, frei Silvestre e frei Domingos, também excomungados. No dia em que o prenderam, esta foi a sua oração:

- "Senhor, eu não peço tranqüilidade, nem que cesse a tribulação; peço-te valor, peço-te amor. Dá-me forças e graça para resistir à adversidade. Eu queria que teu amor triunfasse sobre a Terra. Vês que os malvados se fazem cada dia piores e mais incorrigíveis. É necessário que estendas agora a tua mão poderosa. Quanto a mim, só me restam lágrimas."

Na maior praça da cidade de Florença, uma grande multidão aguarda um espetá­culo.

É noite. O povo florentino está eufóri­co e impaciente. Sobre a fogueira disposta no centro da praça ergue-se uma gigantes­ca forca. Há três laços preparados.

Naque­le local de execução, dentro de alguns ins­tantes, o grande pregador Jerônimo Savonarola e seus dois companheiros de sonhos e lutas serão enforcados e queimados. Ho­mens, mulheres e crianças comprimem-se para assistir à morte de um dos maiores vultos da Igreja.

Alguns meses antes, aque­la mesma multidão vibrava sob o domínio da palavra veemente e cheia de autoridade daquele homem alto e magro, que acabara de chegar ali. Sim.

O grande pregador aca­ba de chegar ao centro da praça.
Nos seus braços e rosto distinguem-se visíveis marcas de tortura.

A multidão silencia por alguns instantes para melhor contemplar sua figura trôpega e sofrida. Após quarenta e cinco dias de tortura e jul­gamento, ele está quase irreconhecível.
Haviam-no maltratado brutalmente.

O seu corpo emagrecido fora queimado com ferros em brasa.
Esticaram seus braços, desconjuntaram suas pernas, dilataram-lhe os músculos, partiram-lhe as veias, distenderam todo o seu corpo no alucinante suplício da roda.
Os que conseguem contemplar de perto sua face pálida e arroxeada, coberta de ci­catrizes que ainda sangram, sentem-se perturbados com o intenso brilho dos seus olhos.

Subitamente a multidão começa a uivar e a aplaudir. Ouvem-se gritos estriden­tes, insultos. O povo delira! Os dois com­panheiros de Savonarola, frei Silvestre e frei Domingos, são obrigados a subir para o alto da fogueira. Ambos também sofreram dolorosos suplícios.
Com movimentos enérgicos, o carrasco faz suas cabeças pas­sarem por dentro dos laços da forca.

A multidão grita furiosamente. Cercado pe­los guardas, emocionado, Jerônimo Savo­narola contempla seus companheiros de martírio e de jornada heróica, cujos corpos agora balançam no espaço! Brilhando serenamente no céu, a lua ilumina seus ros­tos pálidos e transfigurados.

Em poucos instantes, frei Silvestre e frei Domingos es­tão mortos.

Um sacerdote aproxima-se do grande pregador e diz:


- "Vês agora qual será o re­sultado de tua rebeldia?"


Alongando demoradamente o olhar pela vastidão e altu­ra do céu estrelado, Savonarola responde:

- "Muito mais sofreu Jesus por mim."


E não diz mais nada. Instantes depois seu corpo é projetado no espaço.


Finalmente haviam conseguido emudecer aquela voz que, poderosa e indignadamente, comba­tera o pecado.


A grande fogueira começa a arder, envolvendo os três corpos. Seus vul­tos de labareda rompem-se sob o brilho da lua que erra no céu, sonâmbula, coroada de auréolas rubras. Naquela noite, aqueles três homens alcançaram a altíssima paz!


Fonte: Texto extraído do Livro; Eles andaram com Deus de Jefferson Magno Costa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ALIMENTANDO AS OVELHAS OU DIVERTINDO OS BODES?

Última postagem: Palhaças Macabras do G12





Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os bodes? (Charles Spurgeon)


Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixarão de perceber.

Durante as últimas décadas esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada.

O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em promover entretenimento às pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.

A igreja abandonou a pregação ousada como a dos puritanos, em seguida; ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, passou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar multidões.

Minha primeira contenção é esta:

- As Escrituras não afirmam, em nenhuma das suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja.

Se esta é juma obra cristã, porque o Senhor Jesus não falou sobre ela?


“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda à criatura” (Marcos 16. 15)

– Isso é bastante claro.

Se Ele tivesse acrescentado:


“E oferecei entretenimento aqueles que não gostam do Evangelho”, isso teria acontecido.


No entanto tais palavras não se encontram na Bíblia.
Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus.
E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” (Efésios 4. 11).


Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam o entretenimento?


O Espírito Santo silenciou a respeito deles.

Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque se recusavam a fazê-lo? Os consertos de músicas não têm um rol de mártires.

Novamente prover entretenimento está em direto antagonismo com respeito ao ensino e a vida de Cristo e de seus apóstolos.

Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo?

”Vós sois o sal”, não o docinho, algo que o mundo desprezará.

Pungente e curta foi à afirmação de nosso Senhor:

“Deixai aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lucas 9. 60).

Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores.

“Não o vejo dizendo:

- Pedro vá atrás do povo e diga-lhes que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas, diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!”

Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los.

Em vão pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um Evangelho de entretenimento.

A mensagem das cartas é:

“Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!” Qualquer coisa que tinha aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas.

Os apóstolos tinham confiança irrestrita no Evangelho e não utilizavam outros instrumentos.
Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o Evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram:

“Senhor concede aos teus servos que por meio de prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”.

Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes.

Espalhados pela perseguição foram a muitos lugares pregando o Evangelho. Eles “transtornaram o mundo”.

Essa é a única diferença!

Senhor limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e nos traga de volta aos métodos dos apóstolos.

Por último a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados.

Causa danos entre os novos convertidos.

Permite que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram a paz através de um concerto musical.
Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi o elo no processo de sua conversão!
A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros.

A necessidade atual para o ministro do Evangelho é uma instrução Bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz.

A necessidade de nossa época é a doutrina Bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.
Extraído de: Sermões de Charles Spurgeon; http://www.scribd.com/doc/2896925/SERMOES-DE-CHARLES-SPURGEON

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

PALHAÇAS MACABRAS DO G12

Última postagem: Aprendendo um pouco mais sobre Israel...




 
PALHAÇAS MACABRAS DO G12...

Um ex-feiticeiro enviou estes testemunhos. Hoje, ao revisar links descobri que ele retornou às ligações com as crenças africanas e, diante dos relatos abaixo, só posso temer pela solidez dos "resgates" que muitas igrejas evangélicas fazem: muito show (curas e milagres) e pouco alimento sólido (Bíblia Zero!).

1.Enquanto o pastor pregava um dos membros literalmente urrava!
A estranheza que aquele ato causou a todos fez com que o pastor passasse a repreender igreja por não ter “maturidade” para compreender aquele ato!
Daí todo mundo começou a urrar e se curvar... pessoas jogando-se ao chão!
Decidi me levantar e perguntar aos recepcionistas o que era tudo aquilo:
— Os quatro seres que habitam diante do trono agindo!
— Ah... Bom... Só que lá no terreiro eles tinham outros nomes!
Eu os conheço!
— Quer que oremos pelo senhor?
Diante dessa oferta preferi fugir pela rampa...
2.Este outro ocorreu durante uma sessão de “louvor profético” em Honório Gurgel, no Rio de Janeiro.
Logo na entrada reconheço um casal de “guardas espirituais”, velhos conhecidos meus do terreiro, na recepção e me questiono o que fazem ali se aquilo era uma igreja...
Ao entrar me deparo com pessoas girando e rindo (literalmente) e pergunto o que é.
— O senhor é cristão e não sabe o que é “dançar no espírito"?
Pessoas giravam, riam e se sacudiam pelo salão enquanto um cantor os incitava para que fossem “ridículos para Deus”...
A “energia” era igual à do terreiro que eu freqüentava na época!
Saí e me deparei com uma jovem amparada por outros jovens na rampa externa.
Eles tentavam impedir que ela se projetasse lá do alto durante o transe.
Na época eu ainda via espíritos pela vidência psíquica e os observei tanto fora quanto incorporados, tal qual uma seção de feitiçaria.
Voltei desolado, pois até no terreiro havia mais decência e ordem...
Fonte: O Absurdário Gospel de Teóphilo Noturno de Este Mundo Jaz no Maligno

domingo, 30 de agosto de 2009

APRENDENDO UM POUCO MAIS SOBRE ISRAEL...

Última postagem: Os seus pobremas acabaram...




 

Torah

A Torah, que é também chamada de Pentateuco, é formado de 5 livros:
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
A palavra Torah, ou Torá, vem do hebraico e significa Lei (ou Instrução).

A palavra Pentateuco é grega e significa cinco divisões.

Os 5 livros da Torah são históricos, mas para os judeus os consideravam como “lei”, porque eles formam uma unidade onde a lei, dada por Deus, é o ponto principal.

Tanach

Essa palavra é uma abreviação composta pelas iniciais das palavras hebraicas ´Torah´ (ensinamentos), ´Neviim´ (profetas) e ´Ketuvim´ (escritos), sendo a Torah a base.

A palavra Torah referia-se originalmente a uma instrução particular transmitida ao povo por um porta-voz de Deus, como um profeta ou sacerdote.
Como esses ensinamentos consistem, sobretudo em preceitos, a palavra Torah é muitas vezes traduzida como Lei; e como esses ensinamentos consistem na essência da primeira divisão da Bíblia que compreende os livros Gêneses, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, a palavra também serve para designar essa unidade, também conhecida como Pentateuco (da expressão grega para cinco pergaminhos), ou os cinco livro de Moisés.

Talmud

Conjunto de anotações escritas por rabinos e outros religiosos que se diziam dedicados a estudar a Torah, tendo duas versões: a de Jerusalém e a Babilônica, que diferem apenas em certos aspectos.
A palavra Talmud é uma derivação da raiz hebraica "lamad", que significa "estudo".
Entretanto, apesar de muitos judeus darem muita importância ao Talmud e de tratarem-no como se fosse autoridade e uns até o tratarem como se estivesse acima dos Escritos no Tanach, na verdade o Talmud é apenas uma coletânea de pensamentos e argumentos de rabinos e estudiosos religiosos, que muitas vezes afastam-se muito dos Escritos da Torah, não estando por diversas vezes diretamente baseado nos ensinamentos do Tanach e nem nos textos dos Profetas.

sábado, 22 de agosto de 2009

OS SEUS POBREMAS ACABARAM...












Cansado de sofrer? Com medo? Depressão? Você vê vultos? Pobremas financeiros? Pobremas com drogas? Pobremas no casamento? Está na “prova” há meses?

Os seus pobremas acabaram...

Com a Lavagem Cerebral da Moderníssima e Revolucionária Teologizator Victorator Bençãozator Tabajara...

Todos esses pobremas agora são parte do passado!

E adquirindo a Lavagem Cerebral da Moderníssima e Revolucionária Teologizator Victorator Bençãozator Tabajara você ainda leva totalmente “de grátis” a receita da “oração de fogo” dos “querubins das brasas de fogo” que nunca falha; com essa oração quando você se encontrar em dificuldades, basta determinar por meio da “unção” que você também recebe ao adquirir a Lavagem Cerebral da Moderníssima e Revolucionária Teologizator Victorator Bençãozator Tabajara, e o Anjo Migué virá ao seu encontro “peliar” por você, e caso ele esteja ocupado em alguma reunião com algum conferencista poderoso que temos por aí, o próprio Senhor Jesuis, vai vir resolver o seu pobrema!

E não é só isso, na aquisição da Lavagem Cerebral da Moderníssima e Revolucionária Teologizator Victorator Bençãozator Tabajara, além de receber totalmente “de grátis” a receita da “oração de fogo” dos “querubins das brasas de fogo”, anexo a receita você ganha um “Kit de Poder Redoma Impenetrável Mexeu com Ungido, saiu Fugido”, com ele todos os que criticam você e seus “mestres abençoados” serão “queimados na hora”, e você e seus “mestres abençoados” sairão cantando:

- Não adianta levantar-se contra o ungido...

E tem mais... Você ainda é contemplado com um terreno garantido no céu com direito a mansão com quatorze banheiros (deduz-se que a m... é grande) e nada e nem ninguém poderá te tirar a “escritura do terreno”, ou seja, garantia infinita!

E tem mais...
Pensou que era só não é?
Não senhor tem mais; você ainda ganha passagens “prá você e sua família” de “primeira classe” para o dia de do grande vôo, em que você irá finalmente deixar essa vida boa aqui na terra e ir morar no céu!

Não deixe de adquirir a sua Lavagem Cerebral da Moderníssima e Revolucionária Teologizator Victorator Bençãozator Tabajara!

Lavagem Cerebral da Moderníssima e Revolucionária Teologizator Victorator Bençãozator Tabajara, não perca tempo pode estar na igreja mais próxima de você!

Mais um produto das Teologizações Tabajara...



É engraçado, porém por trás da forma cômica há uma triste realidade na igreja brasileira, o Evangelho é pouco lembrado quase nunca pregado e muito menos vivido.



O Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo foi deixado de lado por essa vil teologia barata que prega um evangelho imediatista, consumista, antropocêntrico e vingativo, o cerne da mensagem de tal evangelho equipara-se na prosperidade, vida plena, perfeição enquanto mortais, poder próprio, senhorio para com a graça de Deus e seu poder, santidade absoluta, espiritualidade absoluta e queda e fracasso sob o “peso da mão de Deus” de todos os que não andem por tal “caminho”.



A Bíblia deste evangelho é como a mítica lâmpada mágica de Aladim, onde ao se esfregar para tirar o pó, surge um gênio para realizar desejos.



Esse evangelho é um evangelho mentiroso e trapaceiro tal qual uma moeda de duas caras, e numa moeda de duas caras; coroa não existe! 


Esse evangelho usa a Palavra de Deus, a Bíblia por que sabe que a fé é uma das coisas mais rentáveis do mundo juntamente com o amor, tudo o que é relacionado a esses assuntos: fé e amor o ser 
humano consome!



Porém como a Bíblia é de inspiração divina e não contêm ensinos prejudiciais a alma do homem, os propagadores desse evangelho distorcem passagens bíblicas, ou ainda usam somente o que lhes interessa não se importando se em um versículo terão que usar apenas metade dele, e a outra metade contradiga o que estão ensinando, eles sabem que noventa por cento de quem estiver ouvindo, pelo simples fato de eles estarem citando capítulo e versículo, acreditarão de imediato, afinal está na Bíblia, isso aliado ao fato de o que ouvem ser agradável aos ouvidos.


Quer um exemplo que você já deve ter ouvido ou lido muito:

(João, 16.33). "No mundo tereis aflições, tende bom ânimo, Eu venci o mundo!"

Muito usado para afirmar que venceremos, pois Jesus venceu (claro que falam da vitória imediata, naquele culto!), e não poucos ainda acrescentam: irmão; Jesuis disse tende bom ânimo, eu venci o mundo e vós vencereis também!



Que as aflições fazem parte do cotidiano do ser humano nunca é citado, a não ser para dizer que aflições são para os que ainda não venceram com Jesus, que não são ainda “abençoados”.

Esse é apenas um dos muitos versículos usados a bel prazer dos propagadores do evangelho fácil, que ainda condenam outros ensinos por estarem fora de texto e contexto classificando-os como heréticos.



Tudo isso me aborrece a cansa, minha alma anseia por uma volta a Palavra e a simplicidade do Evangelho.



Cristão pentecostal até os ossos, com problemas, mas firmado na Rocha que é Cristo...